Blaxploitation: O black power nos cinemas

O cinema negro foi destaque no canal TCM este mês, e, na próxima sexta-feira,
exibirá um dos dois principais representantes do controverso gênero cinematográfico chamado Blaxpoitation e um documentário que o coloca como fruto do movimento político Black Power, que surgiu nos anos 60, com a era da luta pelos direitos
civis dos negros.
O Blaxpoitation aconteceu nos Estados Unidos no início da década de 70, época em que era resistente à discriminação racial, quando filmes de baixo orçamento eram feitos por negros para o público negro e contrastavam com os grandes filmes Hollywoodianos.

Acompanhando o ritmo da marginalização, a estética dos filmes era violenta, explorando os guetos mais barra pesada do Harlem e Brooklyn, apelando para a sexualidade com prostitutas e seus inseparáveis cafetões. Negros durões destilavam golpes de karatê com seus impecáveis ternos coloridos para acabar com a graça de gangues e traficantes que aumentavam a criminalidade. A realidade negra, refletida nos filmes, unida a inovadoras trilhas sonoras, feitas por caras como Quincy Jones, Isaak Hayes e James Brown, popularizaram o gênero.

Em 1971, o já conhecido diretor Melvin Van Peebles começou a trabalhar em um filme para negros, que foi julgado pelos grandes estúdios como inacessível aos brancos. As poucas salas de cinema de Detroit e NY que tiveram interesse em exibí-lo aglomeraram centenas de pessoas que queriam saber a história do anti-herói promíscuo que fugia de políciais brancos para o México. Peebles escreveu a trilha junto com um, ainda desconhecido e hoje premiadíssimo grupo, chamado Earth, Wind and Fire. Esse filme era ‘Sweet Sweetback’s Badaaass Song‘.

No mesmo ano, percebendo a popularidade do estilo e querendo reviver boas bilheterias, a MGM resolveu criar o primeiro filme de grande orçamento do seguimento, com trilha sonora de funk dançante feita por Isaac Hayes. A música tema, com batidas sequenciais de prato de bateria,  imitado solo de guitarra wah-wah e frases que bajulavam o herói, abocanhou um Oscar e ajudou a fazer do filme um sucesso imediato.

O filme é sobre um detetive particular, bom de cama, musculoso e atraente, que enfrenta os mafiosos com habilidade e pontaria certeira. Nas palavras de Hayes: “Quem é o sujeito preto detetive, que é uma maquina do sexo pra todas as garotinhas?”, ele era ‘Shaft‘!

Estes dois filmes foram os pilares da expansão do estilo. Entretanto, ele foi acusado de estereotipar os negros como traficantes e cafetões estimulando a violência e gerando inúmeros protestos ligados ao racismo. Apoiado por jornais e meios de comunicação da época, o movimento contra o Blaxploitation ganhou força, e, aliado a baixa qualidade criativa dos novos lançamentos, culminou em seu declínio gradual até início dos anos 80.

O Blaxpoitation acabou, mas não foi em vão. Sua influência musical é impressionante e no cinema tem adeptos como Tarantino e os negros Spike Lee e John Singleton que dirigiu a nova versão de Shaft, em 2000. Vale a pena pesquisar e alugar filmes sobre o gênero que criou ótimos títulos. Um dos últimos lançamentos relacionados ao tema foi ‘Black Dynamite’, lançado em 2009, que é uma homenagem ao tema.

No TCM, sexta-feira dia 24/09, às 22h tem Shaft, e às 23h45 o documentário Baadassss Cinema de 2002, com depoimentos dos principais atores, diretores e músicos da ‘era negra’ do cinema.


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01

  1. Olha

    Verdade hein, nunca tinha pensado nisto!

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